vou-me embora, desta vez,
é a sério.
não quero o lenço branco ondulante
apenas o silêncio
de quem não se despediu.
vou-me embora, desta vez,
é a sério.
não quero o lenço branco ondulante
apenas o silêncio
de quem não se despediu.
seguem sem nós
e os joelhos remoem
grãos, mas,
ao virar da esquina ainda
vejo um rosto familiar
a morte que promete
voltar
a minha boca serve
-te calada
o prazer de um silêncio
sempre e só
apenas obediente
enterra os punhos
na carne que rosna
pois a dor, essa,
não tem fome
estar tão só que
a sombra nem escurece
e o caminho
não ouve os nossos passos
mas será que morremos verdadeiramente se ninguém lamentar a interrupção da nossa existência? ou ficamos apenas estendidos, seja esquecidos, em valas comuns sem uma lágrima conhecida para humedecer o nosso nome e um arranjo floral de qualquer combinação colorida e cheirosa que sirva de pista para o último sítio na terra onde a nossa presença corporal foi avistada.